segunda-feira, 29 de março de 2010

ULTIMO DESEJO

Carta enviada ontem aos Gerentes assediadores da Petrobrás.

Senhores,

Nunca, jamais na história da humanidade eu presenciei uma morte anunciada, arquitetada e consentida. Houve holocausto, genocídios, homicídios dos mais variados, suicídios igualmente, mas uma operária, ser demitida doente, ilegalmente, por vingança mesquinha por não se calar diante de arbitrariedades e ilicitudes das mais variadas, e por ultimo ser morta, em um espaço de tempo torturante de meses, sob o completo deleite de seus algozes...uma operária empregada do estado, um estado dirigido por um ex-sindicalista, todo aparelhado pelo partido desse ex-operário, chefiada justamente por ex-sindicalistas e muitos dos quais ex-camaradas por aproximadamente duas décadas, é realmente algo para não passar anonimamente.


Seria um desperdício muito grande, essa história não ser contada, demonstrada, exposta, ilustrada.


Já não peço mais que salvem minha vida, estão tirando de caso pensado e já deram respostas a inúmeras pessoas e entidades, até ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, de que não vão me reintegrar e assim me dar um novo fôlego para ser assistida adequadamente nas minhas necessidades médicas, não, não peço mais que me salvem, a vocês não.


Hoje escrevo para validar a informação de que vocês tomaram conhecimento da violência da rapidez da minha deterioração pela falta de medicamentos, salários, e assistência médica, além das conseqüências lógicas de uma demissão por “justa causa”, ainda que ilegal: privações.

Estou anexando fotografias que demonstram Leninha antes e depois da demissão criminosa.

Verão o retrato da morte. Eu já presenciei um caso bem parecido, foi um colega que trabalhou na estação NOVA ETO, aqui na Bahia e em um intervalo de 2 meses descobriu a doença, “desenvolveu” uma barriga dessa dimensão exposta nas minhas fotos atuais e morreu.


Ele ao menos teve o direito a ter um diagnóstico, morreu sabendo que doença o vitimou. Eu além de não ter assistência para uma anamnese, acumulo tantas doenças ocupacionais , deste que foi meu único emprego que em vida, acho que ninguém conseguirá descobrir exatamente o que aconteceu internamente com meus órgãos durante esses meses. O fato é que dor e mal estar é parte já absorvida no meu quotidiano, faz muito tempo. Mas a febre e dor de cabeça que me acompanham desde o 59º dia de acampamento na RLAM (saí no 60º justamente por esse motivo), certamente tem alguma relação com meu abdome crescente em progressão assustadora.

Hoje não é um pedido, é uma ordem. Nenhum de vocês ouse pronunciar meu nome, nem mencionar minha história de luta enquanto caminhávamos juntos. Tenho documento oficial exigindo de minha família providencias enérgicas para coibir, ou cobrar eventuais faltas dessa natureza. Vocês não são e nunca foram camaradas de ninguém.


Minha vida pela classe operária! Sem maiores sofrimentos, já consegui arranjar uma causa justa para meu pós morte: Também registrado em cartório, deixei um “testamento”. Como não tenho posses de ordem monetária para minhas filhas (minhas amadas filhas), somente foi contemplado um médico amigo, de minha absoluta confiança, com a doação de meus restos mortais (não poderia dizer hipocritamente que estou doando órgãos), para pesquisa cientifica que objetive descobrir que peste maldita aniquila e mata tantos operários na minha contraditoriamente amada RLAM.

Bem, acho que esse pode ser nosso ultimo contato nesse campo espiritual, minha ultima palavra para vocês é simples e precisa: COITADOS.

Meu ultimo desejo é condizente com minha vida. Que o mundo saiba que fui executada por vocês, stalinistas malditos. Uma lutadora que jamais perdeu a esperança na humanidade pois acredita que futuras gerações alcançarão um mundo verdadeiramente comunista, torcendo muito que não passe pela barbárie.


Obs.: arrumem em ordem cronológica, fica mais fácil. As de número 1 a 7, foram feitas hoje. Amanhã irei a um estudio certificado como fotografo pericial, fazer fotos válidas. essas são somente ilustrativas.

Obs número 2: O encaminhamento e divulgação desse conteúdo, inclusive fotos, está desautorizado.

Obs. número 3: Não joguei a toalha, lutarei para viver por muitos anos! Só não peço mais a vocês.

Minha vida é feliz!

Edilene Farias de Oliveira, nascida a 21 de março de 1967...sempre Leninha!

Fotografias antes e depois do acampamento





Antes da demissão


Durante o acmpamento e sempre...Feliz!!!

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